segunda-feira, maio 19, 2003

MEU TEMPO

Seu tempo não é meu tempo
meu tempo é feito de coisas fugidias
arredias ao pensamento concreto e abstrato

Meu tempo não é o de fato
o tempo histórico exato
Meu tempo é recheado de ilusões
saudades, impressões e frustrações

Seu tempo cronológico
não eqüivale ao meu psicológico
Meu tempo é longelíneo
mas não retilíneo
denso, imenso

Meu tempo faz parte do meu mundo
povoado por figuras estranhas, bizarras
que você teria dificuldade em aceitar

Mas nunca neste meu mundo você irá entrar
você vai vê-lo de fora, atrás das grades
enquanto lá dentro realizo todas as minhas vontades.

Meu tempo esticado
como massa de macarrão
Sonhos que vão do céu ao chão
Macarrão que não cabe no seu garfo
Esses sonhos eu engarrafo
e entrego a você numa correspondência “just in time”

Bom apetite!!!

domingo, maio 18, 2003

TECENDO A VESTE INVISÍVEL

“O rei está nu !! ”


Busca em teu coração
os fios que tua mão vai tecer
fios entrelaçados
formam o tecido básico
que veste a alma
desejosa de se vestir
com o que há de melhor
da bondade do coração humano.

Esse tecido nenhuma manufatura pode fazer
Apenas o invisível pode tecer
o que de mais visível do invisível irá vestir.

A percepção enxerga com clareza
a qualidade das vestes da alma
E sendo assim, de nada adianta
o corpo vestir dourado,
se o tecido invisível for roto.

domingo, maio 11, 2003

PALITO DE FÓSFORO


Como já dizia Platão, só no mundo das idéias existe o eternamente
e nesse mundo material o palito de fósforo nos consome lentamente
Esse amor que nos ilumina e nos vislumbra um mundo superior
nos causando intensa felicidade e nos deixa em completo torpor

Até o momento que termina a fase da chama de maior intensidade
e somos cruelmente forçados a encarar a dura realidade
que o amor nada mais é que um palito de fósforo que se riscou
nos fascina, inebria, embriaga e em um instante - se acabou

E a sensação que restou dessa inesquecível situação
é a que estamos amarrados a um mundo de dor e solidão
Se um palito foi riscado, iremos sempre nos lembrar

da porta mágica que se abriu para nos transportar
ao Reino de Hades, para percorrermos um tortuoso caminho
A lembrança da ressaca e da enxaqueca é o que sobra do copo de vinho.

sábado, maio 03, 2003

Esse e um dos poemas que eu mais gosto de ter escrito... e depois que eu conheci o Taoismo gostei mais ainda...

POEMA DE REGRESSO A PÁTRIA - CAMINHO I

Então reencontro meu caminho
o mesmo que já foi caminhado por muitos
e ao mesmo tempo espera, solitário, por mim
Reencontro o imaginado
o sonhado
e o não-caminhado
Antes de o pisar, o contemplo
Templo de meu saber
Confidente de minha silenciosa agonia
Companheiro de minha constante insônia
no mundo dos adormecidos
e entorpecidos
por promoções liquidações de shopping centers no natal
Isso não me faz mais mal
Estou contemplando o meu caminho
aquele que me esperou ansioso e só
no refúgio dos caminhos esquecidos
Esse caminho que nunca caminhei
apenas sempre o imaginei
questionando sobre a passagem de sofridos
enquanto o próprio caminho, solitário, caminhava seu percurso
verificando os que dormiam no silêncio noturno
e olhando no relógio e olhando o céu
céu daqueles que se dorme em paz no caminho
desgastado pela falta de uso
e esperançoso da espera em seu convidado
que atendeu o seu chamado
E aqui estou eu, contemplando o caminho
este a quem me unirei e a quem serei inseparável
a ponto de meus amigos me olharem
e virem o caminho a caminhar em mim
antes mesmo de me verem
O caminho é infinito e incomensurável, como eu
E espera lentamente a conclusão de seu destino, como eu
Com a ternura, serenidade e paciência
daqueles que já passaram os 70 anos
e ainda têm a vida inteira pela frente
Bem vindo, meu caminho! E bom dia!
Você chegou na hora certa.
E agora que somos inseparáveis
não se preocupe com aqueles que não agüentaram a dura jornada
e dormiram nas suas margens.
Nós passaremos rindo e apaixonados por eles
mas sem acordar os cachorros dos vizinhos.

sexta-feira, maio 02, 2003

Estou na fábrica. Entramos cedo, temos um dia inteiro pela frente. Fabricamos idéias. Chegamos e entregamos nossos cérebros, que ficam à disposição da Direção . dessa forma vamos candidamente nos adaptando, absorvendo e sorvendo porções de informações e normas de comportamento. O Instrutor, como diz seu nome, instrui o material da fábrica – nós. Nós somos a massa. Doses homeopáticas porém contínuas não nos sendo entregues a direção se empenha para obter o máximo aproveitamento. A sala é climatizada, as janelas são vedadas. Porém, nada é perfeito. Desvio meus olhos do Instrutor para a janela, e vejo através dos minúsculos furos o céu azul lá fora e as folhas das árvores balançando com o vento, me fazendo lembrar que, como elas, sou Vida. E como se somente isso não fosse suficiente, sou Humana. Não sou máquina, não sou escrava, não sou matéria. Podem aprisionar meu corpo, cercado de conforto mas ainda assim aprisionado, pode o Instrutor continuar falando e os alunos continuarem ouvindo. Mas não podem impedir a liberdade dos meus pensamentos e dos meus sentimentos.
Estou na fábrica. Para alguns, aqui é fábrica de sonhos, de vir a ser alguém melhor colocado na sociedade atual.para outros, é fábrica de ilusões, que desconsidera o potencial que cada um tem no presente, não o que possa vir a ser, mas o que efetivamente é neste momento.
Eu sou. E neste momento, o único que tenho, tudo o que tenho, sou livre e fiz a audaciosa escolha de ser feliz.



quinta-feira, maio 01, 2003

Ola!
Bom, eu não tenho contador de pagina, cookie, nada, o site não tem comentários porque eu não sei muito programação de internet, para vocês terem certeza disso confiram em http://www.terravista.pt/mussulo/2336/
mas eu perdi a senha do site, entao o mail que esta lá não funciona, a caixa postal já se foi, mas só tem poemas que o pessoal me enviou, não coloquei nada meu lá, o destaque para mim são os poemas de Valdez, de João Pessoa, excelente escritor. Leiam a proposta, eu gostei muito de ter escrito esse projeto.
Essa idéia deve agora continuar no Maionese Literária, divulgando novos textos, está ao dispor de vocês. www.maioneseliteraria.blogspot.com

Esse site do PoesiAgora tem 14 mega de espaço, se eu achar a senha atualizo. Meu problema maior é o tempo, ainda tenho o blog Justiça Feminina www.justicafeminina.weblogger.com.br e trabalhar em Direito e Relações Internacionais.

terça-feira, abril 29, 2003

Gostaria muito mesmo de receber os comentários desses textos que postei, pois são inéditos, e ninguém nunca os tinha lido, são de 2 anos atrás. Minha idéias e colocar minhas crônicas e poemas aqui e abrir o blog Maionese Literaria para vocês..

sábado, abril 26, 2003

Anelos
elos nos dedos
Anéis
que anulam meus elos
que elucidam
minha lúcida escolha
Anelos
aninham-se em meus dedos
Cachos selvagens de cabelos
indomesticáveis
anulam
minha chance
Única e exclusiva
de sobreviver

Chinelos
que rangem
quando eu passo
quando eu piso
quando estraçalho
quando apenas soalho
soa soante solene
e só suavemente
piso descrente
anelo insolente
paspalho
miro em frente
indecente visão - televisão -
incompetente ação
de ser negligente

Singelos
sussurro curvado
sinto o arranhado
do som que busca
o atalho
amassado
me calo
insípida insólita
suado fremente
e desperto ausente
desespero consciente
quem cala consente
e é conivente
Anelos silentes.
Sss...ss...sss.
Desleitura

Dos livros não lidos
Toscamente escolhidos
Promessa não cumprida
Dos livros não escritos
Toscamente vividos
Editoras mal-dirigidas
Dos leitores mal escolhidos
Toscamente alfabetizados
Prontos a não recomendar
A leitura
? Quem tem coragem
De enfrentar sua solidão?
Solidão de ler em silêncio
Dos livros não lidos
Comprados para quando tiver tempo
Ganhados por honra e mérito
Roubados das bibliotecas
Para vingar-se da professora de literatura
Achados no armário
Era do tio, do avô, do parente
Que nunca saberá do presente
Agora encontrado em suas mãos
O livro não lido
Do autor desconhecido
Pela vida escolhido.
Somos alunos. Estamos matriculados regularmente, freqüentamos as aulas, passamos nas provas. E nos encontramos no meio do nosso caminho universitário.
Não necessariamente somos estudantes. O Pacto está feito: os livros estão ai, descansando languidamente nas prateleiras de nossas estantes ao sabor do ar condicionado que o envolve, quando não toma banho de sol na varanda da biblioteca. Mas estes foram feitos para serem olhados, meramente consultados – pois logo no primeiro dia de aula todos os professores nos “tranqüilizam” avisando que poderemos passar direto em suas matérias apenas com as anotações em caderno, nos poupando o extenuante trabalho de pensar. Algumas vezes, quando o “mestre” resolve faturar alguns trocados, adota-se um livro – o escrito pelo próprio professor. De qualquer forma, sempre há a necessidade da adoção de alguma corrente teórica - e assim, os cadernos se tornam o resumo de um determinado livro. Tudo o que temos que fazer é decorar essas anotações, tirarmos, 10, fazer a alegria da família, constituir um bom CR., arranjar um bom emprego e dormimos todos os dias em paz com nossas consciências.
E sendo assim somos escravos. Não temos direito ao básico: a discordar de uma teoria ou corrente ideológica. Pois quando nos apresentam uma tese como sendo a verdade, não há o que contestar – quem contestaria a Verdade? Aceitamos placidamente o que nos é dito – e a Verdade é inaplacável com seus contestadores: tasca-lhes um zero, reprova-os, tenta marcar suas vidas com o símbolo dos perdedores.
Somos todos alunos. Mas nem todos são estudantes e nem todos são cordeirinhos. Ainda assim, sempre haverá a maioria esmagadora e a minoria combativa. Não lutamos pela razão, mas pelo direito de termos idéias próprias e sermos respeitados por isso.
Eu sou um ser pensante, limitado pelas caixinhas de conserva ambientais.
Eu sou um sem em extinção, pois penso por mim mesma, busco compreender o mundo e sou capaz de ter minhas próprias idéias projetos e pensamentos.
Eu sou um ser em locomoção, pois minha mente se desloca no espaço – tempo para além das barreiras físicas e psicológicas prevendo situações prováveis e possíveis.
Eu sou um ser em automoção - pois me cerceiam, me rodeiam e me segregam esperando que vire uma máquina de fazer o que e somente o que esperam que eu faça.
Eu sou longamente superior ao que pensam de mim.
Eu sou longamente e superiormente capaz do que as tarefas diárias que me entregam para executar.
A tremenda ignorância e temor mesclado com insegurança fazem com que todos exijam referencias, sejam elas quais forem. Em uma escala tortuosa e sempre modificada de valores, com penalidades e prêmios dados a esmo, por pessoas e a pessoas ignóbeis.
Cegos e cansados, todos se esbarram no nada em que vivem.
Todos buscando a direção, e criticando e criticando os poucos que ousam sugerir uma solução. Preferem gastar suas vidas na monotonia tranqüila da mediocridade segura.
Enquanto isso, eu estou no alto, observando essas vidas esvaídas de emoção e razão.
Nada posso fazer a não ser lamentar.
Absolutamente nada posso fazer a não ser observar em silencio, me obrigando fechar meus olho e me calar.
E escrever
Sempre.
Pobre povo vagante de si mesmo

E sigo meu caminho.


ola a todos!